terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Conto de Natal (é desta)

Hoje é, sem dúvida, um grande dia. É mesmo! Hoje vai ser batido um recorde. De quem? Pois digo-vos: é dessa nódoa com sotaque à "lisbonete" que anda sempre a dizer "Porreiro pah!" e isto de porreiro não tem nada - pelo contrário, é uma grande bosta. Falo-vos do Eng.(?) Sócrates. Digamos que há dias sua "Pessimencia" dizia que 2009 ia ser um bom ano e agora, de repente, diz que vai ser difícil para os portugueses. Pois bem... Vá-se lá compreender estes dirigentes políticos. Pois, porque de governantes não têm nada. Só se for governantes deles mesmos. Já nós simplesmente vamos voltar atrás num dito. Vamos mesmo fazer um conto de Natal. A história vai sendo inventada à medida que escrevemos. Vale a pena o esforço? Claro que não. Mas como está no intervalo de um filme (e sabemos que vai ser grande; ao contrário do que seria se fosse uma repetitiva e estúpida novela) vamos lá gastar tinta (entendam-se pixéis; hoje ando com a mania dos parêntesis).

A nossa saga começa em Revilhães. Lá vivia o nosso herói. Nome: Zé Zeferino Pereira dos Limites. Nome de código: Zé Ninguém. Isso mesmo. Este era o verdadeiro "Zé Ninguém". O grande buraco da sociedade. Quando nasceu, a sua mãe gostava tão pouco dele que tentou sair as escondidas da maternidade, abandonando-o lá, mas sem sucesso. Pois sucesso não era grande qualidade daquela família. O Zé nunca acabou a primeira classe. Era tão "burro" que pensava que a soma de um com um era dez. Tão estúpido que nunca decorava os nomes das cores; só de uma, o azul (vá lá). Tão má pessoa que nunca pensava ajudar os mais necessitados. Mandava-os mesmo à fava. Era tão teimoso que nunca andava na linha da moda dos ídolos de música de então. Era troçado por não ouvir as mesmas músicas dos seus colegas. Vivia com a mãe, sendo quase um trintão, que chegava podre de bêbeda a casa à noite após o seu trabalho. O Zé era a verdadeira pessoa de quem nunca gostaríamos de vestir a pele. Passava os dias no quarto sem fazer nada. Esse mesmo quarto tinha montes de meias espalhadas pelo chão, endurecidas pelas sessões de pornografia deste "cromo".
Enfim. Certa noite, que por acaso era a de 25 de Dezembro (ele "defecava" de alto no Natal; cá estão os parêntesis), o Zé lá se cansou dos filmes da Jenna Jameson e deitou-se a dormir. Bateram à porta do quarto. E grita o Zé "Vai dormir sua bêbeda!" (isto para a mãe). Respondem do outro lado "Não sou a tua mãe! Sou o Espírito do Natal do Passado!". "Põe-te no car*lho que tou farto de aturar burros!", retorquiu o Zé. "Mas..." dizia lá o ENP quando o Zé: "Mas nada! Se não sais daí, pego num guarda-chuva, enfio-to pela goela abaixo e tiro-o pelo cu para escoar toda a mer*a que tens dentro de ti à excepção da que está na cabeça!". Do outro lado da porta não se ouviu mais nada. Seguiu a noite, mas fora de ser calma. Voltam a bater à porta. "Eu sou o Espírito do Natal do Presente!", foi a identificação dada. O Zé só atirou uma bota de trolha cheia de cimento que herdara do pai. O Espírito lá foi embora. Volvidos só dez minutos, voltam a bater à porta. Zé, completamente fulo, saca da caçadeira e manda dois tiros que soltaram palavrões dos sete cantos do bairro. Restabelecida a paz, Zé conseguiu finalmente dormir. Estava-se marimbando para o Natal, enfim.

Começa então o sonho do Zé. Estava de volta à primária, infância perdida. Mas, em vez da professora de cabelos brancos pegajosos, óculos fundo de pipo e dedo cheio de pus, estava uma professora trintona, com uma camisa apetrechada de um enorme decote, e saia a deixar ver umas pernas que, definitivamente chamavam à atenção. Começa a docente a falar "Meninos, hoje teste oral!", lambendo ao de leve os lábios. A mesa do Zé estava quase ao nível do seu queixo. Começam as perguntas. "Zé [logo quem!], que cores são estas?". No quadro estavam desenhados quadrados de várias cores. O Zé, envergonhado, só conheceu uma, o azul. Gargalhada geral. O Zé estava a ser troçado neste pesadelo. A professora grita "Calem-se seus cocós! Só sabem gozar com os outros! Queria ver se fosse convosco. Se ele não sabe ensinemo-lo. Talvez por não fixar cores, seja um dia alguém que escolha os nossos governantes por aquilo que eles são e não por serem ou não da sua cor! Rita, analisa-me aí o ritmo de uma música à escolha.". A Rita começa a falar de uma música do Tony Carreira que tinha ritmo latino (pudera) e que era muito linda, o Tony era o ídolo dela... "Chega!", gritou a quente da professora; "Vocês não ligam nenhuma à música. Só querem saber que o cantor está na moda e que é lindo. Alguns desses que estão na moda nem cover fazem, é mesmo plágio!". A turma toda calada e com cara de rabo. A professora descascava neles, bando de meninos da mamã alienados. A moral do Zé estava em alta cada vez mais, porque se sentia finalmente compreendido. Pergunta seguinte, Religião e Moral, acção a fazer com um mendigo. Tudo a dizer para dar esmola. Diz o Zé "Nada!". A turma a troçar dele de novo. Diz a professora "Está certo Zé! Por muito que nos custe, não devemos dar peixe, mas sim ensinar a pescar. Os mendigos precisam de um tipo de ajuda muito mais organizado que isso, que os possa integrar para deixarem de depender deste tipo de esmolas!". Zé sentia-se especial pela primeira vez. As suas ideologias estúpidas começavam a ganhar sentido na ética social mais correcta. Mas viria a polémica pergunta algébrica. "Zé, quanto dá a soma de um mais um?". Zé, apesar de saber a resposta correcta, neste sonhos respondeu dez. Gargalhada geral. Desta ele nunca mais recuperaria. Nunca mais teria a auto-estima. Mas o creme no cimo do bolo (a cereja seria a prof toda nua na sua cama) foi a professora dizer "Boa. Pensaste mais à frente. De facto, no sistema binário, é essa a resposta. Vê se vais aprendendo a contar e somar no sistema decimal, mas fica sabendo que tens jeito para contagens digitais.". A turma fez silêncio. O coração de Zé palpitava. À frente daqueles papalvos todos, não foi tratado como um totó. Tinha ideias que continham sentido, apesar de precisarem de mais luz e, por ser diferente, não queria dizer que devia ser deixado de parte por esses meninos bonitos que se dizem normais mas que o comum cidadão designa por queque. Era o momento de claridade do Zé. Podia ser alguém.

Abriu os olhos de repente. Cama toda molhada. Tinha sido da imagem da professora. Levantou-se, lavou a cara e foi ver se arranjava trabalho.

Para este Natal, o nosso desejo não se fica só por essas lamechices. Desejamos que todos sejam justos, de modo a que este mundo funcione melhor. Desejamos que nunca se deixe ninguém de parte, e que pratique caridade construtiva todo o ano e não caridade dependente só pelo Natal. Desejamos que todos abram os olhos e saibam escolher pessoas pelas ideologias e não pelo partido onde "jogam". Desejamos que a cultura não se guie por modas, para que saibam todos o verdadeiro sentido da palavra apreciar, quando aplicada às artes. Falando em modas, desejamos que a sociedade deixe de se guiar por essas fashions que provocam uma alienação cansativa e sem cor, deixando de parte todos aqueles que são diferentes.

Falando em plágio, acho que alguém aqui no "burgo" copiou esta canção latino-americana.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Conto de Natal

Ui! O quê? Nah... Deve ser engano... Cont... Contos... De coiso... Ha... De Natal... Aqui? Nem pensar. Ai bolas. Era o que faltava. Só faltava agora aqui a Leopoldina e a Popota... E aquele gajo que imita cantores sul-americanos... Ai agora não me lembro do nome... O coiso... O Tony Autocarro ou Expresso ou Carreira... E depois andavamos a fazer caridade neste dia, no resto dos dias os desgraçados dos putos andam cheios de fome que até trincam os dedos.
Devem-se ter enganado no canal. Isso é mais para a TVI e a SIC para mostrarem que lá os Jet's não passam o dia a não fazer nada. Eles lá andam a falar com os putos tipo: "'Tá a ver Jacinto? O menino nunca foi ao Casino de Estoril? Ah pois não o menino é muito novo e ainda não tem dinheiro 'tá a ver?... Como é que você se chama?...".
Não. Não é hoje nem aqui.
Pedimos desculpas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Avé

Ohhhhhhhhhhhhhh
Bacano do bacano
Oh bacano bacaniço
Bacano do bacano
Oh bacano seu chouriço

Epah. Cheguei a casa com vontade de defecar. E, em vez de me estar a esmifrar no trono sem fundo, vim para aqui escrever. Das duas saiu logo a pior. É mau, muito mau.
Mas vamos lá ver. Ao menos não ando aqui a lamber botas. Já agora, quando falo em lamber botas, não vos lembra nada? Assim sectores de trabalho?
Pensemos...
Vá, não custa nada puxar pela "cachimónia". Lembrará bombeiros? Não. Lembrará médicos? Vamos dizer que não para sermos bem educados. Lembrará funcionários públicos? Vamos supor que não. Espera aí... Políticos. É isso. Essa gente que acha que, por saber de política, sabe governar. Esses mesmos. Vamos proclamar a uma voz bem alta: SEUS LAMBE-BOTAS.
Mas pronto. A culpa não é deles. Infelizmente (e isto até só para alguns), vivemos num país onde somos ensinados a lamber botas desde relativamente cedo, para chegarmos a algum lado. Digo desde o primeiro ano da faculdade. Toca a pensar (já estou a pedir demais). O que fazem os universitários portugueses no seu primeiro ano, que engloba fazer tudo o que outros mandam para que, em anos seguintes, eles possam ter uma posição social de maior relevo dentro do ambiente académico? Ah pois é. Chama-se praxe. Não concordam comigo? Pois não. Aquilo é tudo uma alienação. Quem não concorda é posto minimamente de parte.

Concordam? Pois é porque vêm naquilo uma autêntica treta. Ora bolas! Temos que fazer figuras estúpidas e degradantes, andam numa espécie de ditadura a humilhar-nos para no ano seguinte andarmos a fazer o mesmo? E tudo isto num teatro de "mongas"? Qué é isto? "Ai é para aprenderes valores e coisas boas." Que género de valores? Tratar os alunos novos abaixo de cão para os fazer sentir integrados e depois dizer que é tudo na brincadeira? Obrigá-los a ir mesmo que não queiram, dizendo no início que não é bem assim? Ora que porra.
Chegam a falar de diversão, mas quem tem meio dedo de testa anda lá tipo Mr Bean na montanha russa, o resto a gritar e o desgraçado quase a adormecer, não tendo aquilo graça nenhuma para ele. "Ai um, dois, três... sessenta e oito, sessenta e... PAROU. É sessenta e oito mais um!" Mas que pu*a de piada. A sério, estes gajos deviam ir ao "levanta-te e ri". Mas só se fosse ao vivo de um cemitério. Não são homens o suficiente para dize-lo? Sessenta e nove, carago! Se calhar nunca fizeram e, portanto, não dizem. São meninos que só agora se vêem livres das mamãs e dos papás e obrigam depois as caloiras a simular orgasmos na praxe, para depois irem para casa tocar-se a pensar na cena.

Tudo isto torna o ambiente académico uma autêntica seca. Já não basta os nerds a falar daqueles jogos que eu nem sei descrever, cheios de monstros e tal, com nomes esquisitos, a rirem-se de coisas sem piada; que ainda há os praxis nerdis sempre a falar da mesma coisa: "ah e porque hoje fui comprar esta insígnia... e porque hoje o doutor não sei que mer*a disse a este caloiro para ele fazer de porco... e porque este não pode praxar porque não fez isto e aquilo...".
Enfim. É mesmo isto. É só um ponto de vista que não merece ponto de vista sequer. Mas pronto. Aquilo realmente não tem assunto.
Ninguém ensina respeito sem mostrar respeito. E, como disse, é fazer tudo o que me mandam para poder ser alguém naquela sociedade académica - lamber botas. É um autêntico Carnaval. Andarmos a imitar as gentes do século XIX na maneira de vestir, em vez de andarmos normalmente como estudantes que somos. O que explica também porque andamos meio século atrasados e somos um país retrógado - se já nisso andamos ainda no século XIX...
Tenho dito.

Bacano do bacano
Oh bacano bacanudo
Bacano do bacano
Oh bacano seu canudo...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Pela Ordem e Pela Pátria (O Vizinho) - Última Parte

E toc toc toc - o agente Tirólinhas bateria novamente na parede para inibir mais uma vez o jovem músico de estudar - ora porra…

“E porque eu trabalho a turnos, e porque eu preciso de descansar, e porque eu sou polícia, blá blá blá”… QUE BESTA!!!!!
Já tiveram aquela sensação de que quanto mais uma pessoa fala mais vontade têm vocês de lhe partir a cara? A ele e ao porta-chaves do Óscar…

Mas como tudo na vida, às vezes é preciso saber ceder para evitar chatices maiores, e assim ele continuará sempre nos nossos corações como sendo o pior vizinho de sempre, o mais mandão, o mais feio (com aquela cara oval e com os incisivos de fora, magríssimo, alto, esquelético, branquinho), o mais estúpido, o mais insensível (pareço o Sr. José Castelo Branco a falar)…
Houvesse em Portugal um Óscar feito de m*rda a atribuir ao pior Polícia seria certamente a esta peça, apesar de ele já ter um Óscar numa forma canídea, logo, eles merecem-se bem.
A única coisa em comum entre ele e este texto será o facto de ambos serem uma bosta…

PS: Hoje o Jovem Músico acordou ao suave latido do brilhante Óscar, sempre protegendo o seu palácio, ladrando ao vento…. ROU, ROU, ROU!!!!!

Blogs recomendados

É preciso ter muito azar. Mas mesmo muito azar. A sério... Calhar neste blog é um azar de 1 em 500.000,00. Como é que alguém acerta nas combinações de letras no link para calhar aqui? Tanto blog para calhar! A sério. Isto aqui não tem nada de jeito. É uma bosta de um blog. Pior que isto só o site do slb ou de blogs de fãs dos Morangos com Açúcar. De resto. A sério, digam lá. Que tem este blog de jeito? Se ainda tivesse fotos da gajas nuas, ainda que os textos não valham nada... Nem isso.
Assim sendo, este blog terá, a partir de agora, uma menos-má-valia. Estarão disponíveis três hiperligações para três blogs de colaboradores que a gente não conhece de lado nenhum. Assim já podem salvar o dia. Passo a descrever:
  • O Conto Perdido - uma autêntica saga. Um blog sem actividade já, mas que em tempos foi um ícone da comédia escrita em Amarante. E tudo começou de um trabalho de expressão escrita livre no 12º ou 11º ou até 9º ano. Agora nem sei.
  • Cara Cool Acelerado - epah. A gente diz mal. Mas não sabe nada. Este aqui sabe tudo o que diz. E, para além do mais, escolhe imagens mais elucidativas e ilustrativas do que diz. É simplesmente alguém que sabe o que diz, algo raro neste rectângulo com dois arquipélagos "cagados".
  • Pensar-Doença - este é uma autêntica descoberta. Uma tese que pode contrariar tudo o que se pensou até hoje. Algo que nos deixará de boca aberta. Em S. Martinho do Campo (Famalicão, e não Valongo) também se pensa. Assim, neste blog, encontrarão pensamentos e reflexões, que no fundo são o objectivo de um blog, na sua essência. São coisas que passam pela cabeça ao mais comum dos humanos, mas que só alguns sabem expressar e, até, escrever.
E pronto. Está tudo dito.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Top 69

Chegou a lista do top 69. Nesta lista estão, por ordem de preferência, as coisas que um tertuliano nunca faria na vida, ou pelo menos a vontade. Não dá com nada, não tem piada nenhuma. É a realidade nua e crua (epah, se for boa, fica bem assim) da vida de alguém que a não fazer nada já se cansa. E tinha ficado melhor assim.
  1. Ser do Benfica
  2. Ser benfiquista
  3. Ser lampião
  4. Ser do clube da galinha
  5. Ser do clube encarnado e rosa
  6. Ser da Lixa
  7. Ser cão
  8. Ver os morangos com açúcar
  9. Deixar a música
  10. Ser homossexual
  11. Viver em S. Martinho do Campo
  12. Ser do Sporting
  13. Seguir assiduamente as novelas da TVI
  14. Participar num reality show
  15. Ouvir o Mickael Carreira
  16. Comprar algum cd dos D'Zrt
  17. Beijar os pés ao J. Sócrates
  18. Ouvir Tony Carreira
  19. Tocar repertório de Banda filarmónica de Ilídio Costa
  20. Ler imprensa cor-de-rosa e social
  21. Ler a revista Caras - é a mesma coisa
  22. Rebaixar-me a uma mulher
  23. Levantar-me do sofá para ir lavar a louça
  24. Ter fantasias com a Paris "Plastic" Hilton
  25. Saír com os amigos e beber uma pepsi - ou cerveja ou nada
  26. Rejeitar uma cerveja - Sim, sim...
  27. Falar como os adolescentes falam - "Yo 'tá-se bem "chvalo"... 'Tá-se totil..."
  28. Falar com sotaque do sul
  29. Aturar os ditos "avec"'s - quem os atura?
  30. Enra*ar um cão - que nojo!
  31. Tocar na Banda dos bêbedos - descubram qual é...
  32. Tocar numa Banda da Maia - tzim ta ta ta ta ta ta ta tzim tzim...
  33. Ver o Disney Channel e a Hannah Montana
  34. Respeitar aqueles totós que se vestem de negro para chatear os caloiros das faculdades
  35. Vestir-me como eles
  36. Jogar daqueles jogos em rede que só os "nerds" de informática conhecem
  37. Tocar oboé
  38. Ser um pato
  39. Tocar clarinete esganiçado - entenda-se oboé
  40. Tocar violino
  41. Ouvir música rap ou hip-hop (gajos com sotaque do sul a dizer que são injustiçados, quando andam sempre aos tiros a alguém inocente)
  42. Porra, ainda não acabou?
  43. Fazer aérobica
  44. Ler as crónicas do Rui Santos
  45. Ter fantasia com a Nicole Kidman (boca no queixo pah?)
  46. Deixar de ver o Rambo (lenda do cinema)
  47. Deixar de ver o Rocky (já estás a exagerar)
  48. Comer Snickers (bahhhhhhhhhhhh, que enjoativo)
  49. Ir para um coro - era só o que faltava
  50. Traír a namorada - se a escolhi é porque ela é a melhor
  51. Dormir com os pés destapados - epah, esquisitices
  52. Ir a Gondomar - era só o que faltava
  53. Ir a Ermesinde - oh outra
  54. Ir a S. Martinho do Campo - já se disse mas vale a pena relembrar
  55. Ter sexo oral - imaginem o que é que eu comia durante os linguados...
  56. Andar de brinco na orelha, com calcinhas apertadas abaxo do cú e camisola de decote em triângulo até aos mamilos - ver número 10
  57. Atirar-me do tabuleiro superior da ponte D. Luís - e ia acertar com os cornos no inferior... 'tá quieta
  58. Atirar-me de outra ponte qualquer - também era o que faltava
  59. Ir ao estádio da luz
  60. Tocar um instrumento de cordas
  61. Ouvir Mika
  62. Ir a Aboadela tocar - nunca mas nunca mais
  63. Gastar um dinheirão num telemóvel de última geração - mas para quê?
  64. Considerar o oboé um instrumento, é só um cano sem aproveitamento para a pichelaria
  65. Está quase
  66. Abandonar um amigo (está no fim mas é importante... É sim...)
  67. Deixá-lo mal
  68. Esperar algo que nunca acontecerá
  69. Conter um peido - perdoem-me a expressão

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Então pá?

"Eu nasci à Sexta-Feira
De barba e cabeleira
Mais parecia um Anti-Cristo.
Que até o Senhor Padre Cura,
Que é homem de sabedura,
Nunca tal houvera visto..."

Esta já existia. Já é antiguinha. Era coisa que já existia ainda andavam nossos pais de um lado para o outro pelos deferentes. Muita coisa existe e não deixa de existir. Tal como a raça humana. Apesar da teoria que nos vamos destruir uns aos outros... Ninguém para de "dar ao galho" e não param de vir crianças. Mesmo aqui neste pedaço de excremento à beira mar plantado, governado por um bando de outros tantos excrementos. E o que se passa? Muitos desses meninos não podem gastar as energias como antigamente, em que os seus pais os mandavam para o campo trabalhar e para a montanha passear bois e ovelhas, como ainda se faz lá em S. Martinho ou Zezinho ou lá o que é de não sei de onde. Nada disso. Hoje em dia o menino fica em casa até entrar para o infantário. Depois entra para a escola, só faz mer... Pronto, asneiras. Leva reprimenda do professor e no fim os paizinhos vão lá buscá-lo, fazem cara de maus para o docente e, chegando a casa, para o menino ultrapassar o trauma, oferecem-lhe uma playstation. A vida prossegue e, nas férias, o rebento fica dias atrás da televisão a jogar na dita consola. A energia acumula-se e, diz o psicólogo, o puto fica hiperactivo. Ora, que dá aos pais para fazer?
Meter o rapazito na terapia da moda: música. E como "o meu filho é especial", tem que ir para um sítio do melhor. 'Bota meter o ganapo no Conservatório logo para o preparatório.

E, na mui nobre e sempre leal invicta cidade do Porto, houve outrora um palácio transformado num Conservatório, único e prestigiado. Os estudantes que aí andavam respiravam música. Os dias eram passados calmamente ao som da música de estudos, aquecimentos e peças que iam saindo das salas onde se estudava música. A vida ganhava tom mais humano quando os estudantes confraternizavam, criando amizades com as quais se realizavam grandes concertos, que ficavam marcados tanto na memória de quem os fazia como dos espectadores, que eram muitos mais que meramente os amigos e família dos músicos. Desde estágios, a projectos, a audições... O Conservatório de Música do Porto mostrava toda a sua classe.

Até que veio a invasão. Monovolumes cheios de gente com média de idades de 15 anos (devido à presença da mãe ao volante) invadiriam as imediações do palacete. Quando as portas se abriam, dezenas de meninos fardados dos mais variados colégios da cidade invadiam o edifício, uns atrás dos outros, barulhentos e brincalhões como toda a criança deve ser... Mas barulhentos. Seguindo a infantaria, vinha a cavalaria. Quando finalmente os meninos entravam nas suas salas para as suas aulas, os corredores ficavam infestados dos seus pais, não havendo um único canto vazio. Nem sequer os lindos jardins, onde amigos conversavam, casais namoravam, alunos ensaiavam e... Agora os meninos gritavam e atiravam pedras e paus para o lago enquanto seus pais se sentavam a olhar para os lados e para a frente. As audições (de música barroca em especial), que exigiam silêncio, tinham som de fundo de autêntico recreio. Mas os alunos que já lá andavam amavam a música mais que tudo, e nada lhes tirava a concentração e motivação para o que faziam. Até porque ninguém tinha essa intenção.

Vantajosa por melhoria de condições e desvantajosa pelo significado que teve, o palácio iria ser trocado. Uma nova escola iria acolher os aprendizes de música. A única desvantagem mesmo significativa seria a mistura do ambiente harmonioso com a rebeldia de autênticos "morangos com açúcar" da escola secundária que faria paredes meias. Pior para alguns, o ensino supletivo aproximava-se do fim, dando lugar quase exclusivo ao integrado. Era uma nova época a nascer, em que o ensino exclusivo de música certamente iria fazer evoluír a música em portugal. Perdão, esqueci-me que se escreve em maiúsculas. Mas esquecia-se do amor que os do supletivo mostravam e nutriam, mesmo tendo entrado relativamente mais tarde. Esqueciam-se que a maior parte dos grandes músicos veio do supletivo. Esqueciam-se que o conhecimento musical é a coisa mais perfeita do mundo e que todos tem direito a isso.

E a invasão começava assim a consumar-se. O Conservatório, maior, era agora mais barulhento, os empregados não tinham mãos a medir com as crianças e, mesmo com mais salas, os sobreviventes do supletivo quase não arranjavam onde estudar. E, numa questão de dias, os paizinhos já estavam de novo nos corredores da instituição.

Fica assim mais um relato do preço do progresso. Esquecem-se uns como se fossem dinossaurios a abater e fora do seu tempo e elitiza-se cada vez mais este país. Duro, seco e sem piada. É o lado mais sério da má língua. Mas, tal como alguns têm que gramar com tudo, nós também temos que ouvir de tudo. E este texto é dedicado às gentes de Barca - Maia, que ainda assim têm lá um monumento exemplar no exaltamento do país que temos hoje - têm um estábulo de bois. Talvez o seu conteúdo represente os "heróis do mar" que hoje dirigem os nossos destinos.

Era o vinho, meu Deus
(hic) Era o vinho
Era a coisa que eu mais
(hic) Gostava