sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Debate

A corrente política na Tertúlia da Má Língua é, por demais, conhecida: só queremos que se vá tudo f*der, condigna e desenfreadamente. Tudo o resto é m*rda.

Serve este intróito para nos colocar no âmbito do contexto de que vamos conversar um bocado. Ora parece que, na noite passada, terá havido um debate entre candidatos a primeiro-ministro da República Portuguesa - reparem que o nome do nosso país é um regime político. António Costa e Pedro Passos Coelho degladiaram-se de argumentos a tentar conquistar votos via televisão, ponto. Quero, desde já, dizer que, ao contrário de todo o portuguesismo que me corre nas veias, os ataques que faça ao PPC são à sua figura política, não ao homem com quem simpatizo pelas dificuldades que tem na vida dados os problemas da mulher - um cancro dos bicudos não passa nem com todo o dinheiro que a corrupção possa desviar.

O mais engraçado deste tipo de eventos televisivos é que isto até parece a sério. Mais, não percebo como nas redes sociais, nos dias de hoje, ainda se degladiam jovens em favor de um ou de outro. É daqueles mistérios do género de continuar-se a chamar Isabel à Elizabeth ou de quem teve a estúpida ideia de um acordo ortográfico que os retardados da Tertúlia da Má Língua ainda não adoptaram. Choca-me ver que há gente, muito nova, que apoia ou detracta este ou aquele e, inevitavelmente, de 4 em 4 anos está ali a defender o gajo da mesma cor em todas as ocasiões. Sim, a cor. Questiona-se o que raio vai nas mentes da rapaziada para continuarem a ir numa onda que, simplesmente, tem arrastado o país para um fundo cada vez mais sem fundo. Sempre a cor e o partido. As "jotas", os empregos que estão garantidos mas que "deram trabalho", os blazers aos 21 anos, o orgulho de não emigrar, a "participação na sociedade civil" (pseudo-congressos para os jotas andarem de cartaozinho pendurado ao pescoço) e as cuspidelas na cultura, que não merece ministério, que tem um ego do tamanho do mundo, que só gasta dinheiro desnecessário, etc e mais não sei o quê. É nesta bosta que se revêm e é nisto que vão votar? Força, então.

Fico pasmado com esta malta, a sério que fico. Tanta enxada para trabalhar e eles andam com "yes we costa" e afins... Que lhes está na cabeça? M*rda cor de laranja ou cor de rosa "hemorroidas", dependendo do partido?

Sendo o Estado uma entidade que nos governa e que deveria ter os seus lugares como emprego disponível aos melhores candidatos, como podem os portugueses escolher sem ligar ao currículo? Como podem dar vivas e continuar a deixar que, quem tem o emprego mais no fundo na cadeia profissional (estar empregado ao serviço de 11M de cidadãos) possa encarar aquilo como cadeira de poder e onde se ganha mais e cada vez mais que o comum anónimo.

Ide, votai neles, força, continuai a ser comidos...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Conto de Natal (parte II)

Antero recebia todos os anos, pelo Natal, 100$00 do seu pai. Dava para uma gracinha, todos os anos, desde o seu tempo de meninice. O gesto do seu pai ainda se mantinha, mesmo na idade supostamente adulta, recebendo uma quantia pela altura, agora de €0,50 - mantinha-se basicamente o mesmo, para o Sachola não ficar triste com algum dinheiro a menos, no fundo, um gesto generoso do seu progenitor. Mas 2013 trouxe bónus. O vitelo que Antero criara nos últimos 7 meses já era um grande boi (não é um insulto), pronto para vender para a matança e dar carne. Com a receita de tal venda, o Sachola tirou €100 para realizar um sonho de criança: visitar a cidade.
Assim foi, munido de €100,50, Antero apanhou boleia com o Miquelino da Buraca, na sua Casal de 2, até ao apeadeiro do autocarro. Finalmente, após 2 horas e meia de espera, a carreira das aldeias iniciou a sua viagem de 3 horas pelas estradas mal alcatroadas da província, chegando finalmente à urbe imensa que abraçou o Antero numa realidade completamente estranha para o rapaz. Luzes, multidões e carros barulhentos com modelos que Antero nunca vira antes. Nem um barulhinho de motorizada de 50cc era perceptível para o apurado ouvido do Sachola, apenas brutos motões... Em algumas bermas e passeios estavam pessoas sentadas, muito magras e sujas. Para Antero, eram lavradores acabados de vir de uma lavoura a descansar antes de tomarem um banho... Mas, pensava Antero, "não estamos na altura das lavouras... E porque há pessoas a atirarem-lhes moedas? E onde estão os campos para lavrar aqui na cidade? Não vi nenhum...".
À saída do autocarro, Antero é surpreendido por um carro que assusta "meio mundo" ao passar em velocidade exagerada numa passadeira para aproveitar um amarelo do semáforo. Ao lado de Antero, um homem de boina, sexagenário, interpela o Sachola:
- Já viu menino? Esta gente hoje em dia não tem respeito...
- Realmente, senhor. Devia estar com pressa aquela pessoa!
O homem prosseguiu:
- É este país, esta maldita terra, governada pelos gatunos que estão na capital. Aquele maldito partido, o PFT, comandita de gatunos. Eles é que nos encaminharam para esta situação...
- Como assim? - perguntou, curioso, o Sachola.
- Quando era o PBA a governar, o país ainda tinha esperança, o grande primeiro-ministro João Platão, falava tão bem o homem... Lá fez o esforço.
- Há quanto tempo foi mudado o governo? - continuou Sachola.
- Há um ano... - respondeu o homem.
- E, num ano, o partido seguinte é que deu cabo de tudo?...
Interrompendo, algo nervoso, o homem respondeu:
- Ó menino, deixe-se de ilusões. Este país sempre foi pobre. o PBA sempre deu tudo ao povo, autoestradas, pontes, campeonatos de futebol, etc., etc....
- Ah, sim? Óptimo, porreiro. Sabe, eu nunca vi isso. - continuou Sachola, na sua ingenuidade algo rural - Quanto tempo esteve o PBA à frente antes do PFT?
- 15 anos. - respondeu prontamente o homem.
- E o que tem o PBA para o país? - continuou Antero a inquirir.
- Políticas do lado de lá! Isso sim, é que é bom para todos, para os ricos deixarem de roubar dinheiro aos pobres... Para as próximas eleições, lá vou eu votar no PBA outra vez... Ah, as saudades do Eng. Platão, a flor de espinhos vai voltar a florir com o país.
Na cabeça de Sachola tudo era confuso... Então, o partido que esteve mais tempo é inocente e o partido que está há pouco tempo é que é inteiramente culpado?

Mais à frente, Sachola entrou num café para tomar uma chávena. Pagou €2,00, e nem "tussiu". Pensava para si mesmo, "só por isto parecer um palácio pago quatro vezes mais que o café tão bom da terra"... "E sabe a mixórdia", concluiu após um golo.
Ao seu lado, um jovem nos seus vinte e tais, de gravata e fato e uma malinha, tomava da tal mesma mixórdia. Olhando para ele, Sachola pensava que o rapaz tinha bom corpo para trabalhar, pensado porque raio já estava ali a tomar café de fatinho, a horas normais de trabalho. Apercebendo-se da admiração e observação do Antero, o rapaz interpelou-o:
- Ora viva, caro amigo! Está bom o cafézinho?
- Nada mau, nada mau! - respondeu Sachola, para não parecer mal, enquanto ficava pasmado com o vocabulário do personagem - Se me permite, o senhor assim tão bem vestido, deve já ser um capataz numa firma, não?
Rindo-se amigavelmente, respondeu:
- Não, meu caro. Sou gestor e assessor numa empresa de topo.
- Ah... Bem, o que... O que é isso? - gaguejou Antero.
- Ah, bem, sabe como é... Tenho que ir para o escritório, a reuniões, fazer pareceres e aconselhar os chefes, assinar papéis, etc... - retorquiu o gestor/assessor.
Antero ficou curioso com tal profissão fora do (seu) normal. Prosseguiu:
- E que é preciso para se fazer disso vida?
- Bem, é assim: estudei na Universidade Lusófila Livre, tirei a licenciatura em ciências políticas e ingressei na empresa do meu pai. Conhece, o Fernando Ullrianov? - explicou o jovem.
- Não, não conheço... Se me permite, quanto ganha ao mês? - continuou o ingénuo Sachola.
- O meu pai é um militante de longa data do PFT, com anos de experiência nos bancos. Admira-me que não conheça... Bem, ganho €3000 ao mês, fora comissões. Nada mau, para primeiro emprego! - concluiu o jovem - Bem, tenho que ir fazer alguma coisa, hoje tenhos 2 holdings, 3 swaps e uma meeting. Tenho que fazer alguma coisa, não é?
Sachola nem respondeu, tal o número de "inglesices" com que se deparou...

Prosseguiu o seu passeio. Foi para a fila de um estabelecimento que vendia sandes de carne picada. à sua frente, um personagem de roupa larga, calças pelo joelho, cabelo grande ajeitado para um dos lados - talvez pelo vento - e brinco na orelha destapada. Curioso sobre as tais sandes, Sachola pediu informações ao miúdo:
- Desculpe jovem, o que se vende aqui?
- Yah, bute lá um beca mano... - respondeu o rapaz, com sorriso trocista, prosseguindo - Este é o McDonald's, vendem-se hamburgueres, sócio. Carne picada, alface e outras cenas, percebes?
- Ah, muito obrigado. O jovem anda na escola, está de férias? - Sachola andava desprendido na curiosidade.
- Eish, mano! Tu não me fales da escola! Pash! Estou farto daquela treta, percebes? Finalmente, pash! - respondeu o rapaz. Os professores são bué chatos. Um mano vai para lá para curtir uma beca e lá vêm eles moer a cabeça, "estuda", "faz os exercícios", "não balances a cadeira"...
Antero prosseguiu:
- Está a estudar para aprender o quê?
- Estudar é para burros. Pash! Eu ensino, não aprendo. A escola é para ir ver as babes, mano. Quero lá saber dos livros. Eu quero é ser DJ, sabes? Fazer umas misturas, meter uns vibes, curtir com umas babes. Tudo isso mano, festas porreiras, estilo swag, isso é que é vida!...
- E vais estudar para isso? - continou Sachola.
- Já te disse, mano, estudar não... Não é preciso.

Sachola deglutiu rapidamente a dita sandes, o hambúrguer. A carne parecia marshmallow, quando comparada com a boa carne que se criava na quinta de seu pai, exigindo mastigar por 20 vezes antes de deglutir. Caía a noite mais densa, com menos carros, e apenas as luzes de Natal. Era aquilo que Sachola queria ver, as ditas luzes... No entanto, após aquelas esquisitas experiências, Antero não se sentia seguro... Bom bom, era estar em casa. Sabia-lhe bem trabalhar e divertir-se num mundo sem PBA, PFT, políticas de lado-de-lá e lado-de-cá, trabalhos sentados a fazer "inglesices", calças pelos joelhos e dj's, vibes e afins...

domingo, 10 de novembro de 2013

Conto de Natal (parte I)

A nossa verborreia de hoje é dedicada a todos os venezuelanos. Sejam os caracoletas que se agitam num estrado de maestro a dar show-off, sejam os semi-lusitanos que, quando instados a prestar serviços à sua semi-Pátria, ficam logo de baixa médica. Viva a Venezuela! Vivam os Maduros que, decerto enfrascados em muito maduro, até antecipam o Natal, numa medida épica que vem levar à letra a expressão "o Natal é quando um homem quiser". Na Venezuela quiçá totalitária, é mesmo quando um homem quiser... Um só, aquele que manda. Antecipado que está o Natal neste país sul-americano, antecipemos nós também a nossa edição evitável do Conto de Natal, de modo a poupar o leitor de chatices mais lá para a altura do 25.º de Dezembro.

Ora, corria o ano de 2013 da graça do Senhor e desgraça dos portugueses. Antero Aníbal Teixeiró dos Santos "Sachola" vivia na paz contida da sua casa de sempre. Único de 3 irmãos (o mais velho meteu-se na droga e nunca mais foi visto, o do meio morreu num acidente de tractor, quando o arado mecânico ultrapassou o veículo e o abalroou), Antero levava a vida de tantos outros antepassados: era lavrador, não amador nem profissional, mas porque, depois da quarta classe, já chegava de chatices para o seu pai e foi obrigado a trabalhar na quinta a tempo inteiro. Teve a primeira leira de sua total responsabilidade aos 12 anos, onde plantava as couves e os feijões para o caldo. Conduziu o seu primeiro tractor aos 14 e a primeira junta de bois aos 17. Estava um homem feito, bem rijo e forte, coradinho nas maçãs e com mãos de aço. Desde a sua primeira copada de tinto maduro, por altura dos 8 anos, a sua voz tomou proporções de grossura num ápice, quando aos 13 anos os seus palavrões já não motivavam repreensões pelos velhotes que adormeciam ao sol. Estava um homem feito, pelo que a sua primeira motorizada, de marca incerta (dizia Zundapp no assento, Tâmega no depósito e Macal na crenagem do motor), comprada em 2ª. mão de uma anterior 2ª. mão com o dinheiro resultante da venda de 2 porcos e 1 vitelo que ele criou (iam ser 2 vitelos, mas um foi roubado para venda no mercado negro, sendo que testes de ADN resultaram na localização da sua carne num restaurante chinês em Seul), foi o dia mais feliz da sua vida. Com isto, já podia levar a passear a Clotilde, a bela moça que ele cresceu a admirar e a pensar amá-lo, sem se dar conta dos inúmeros namorados que ela ia tendo, actualmente o Porfírio "Zangão", filho do Presidente da Junta. A bela moça nunca dizia que não aos mimos que o "Sachola" lhe oferecia, sendo sempre uma companhia seca e cheia de indirectas que o obcecado apaixonado nunca percebia... Quantas vezes não fazia ele papel de "vela" ou "gato de confissão"... Nem sequer a "micro-ondas" (aquece para os outros comerem) ou "friendzoned" chegava. Uma ignorância que dava pena ver naquele moço... Ainda assim, um rapaz de talento. Antero tocava acordeão e era a presença habitual nos bailes da aldeia desde muito novo, perdendo notabilidade com a profusão de artistas de baile acompanhados pela sua "banda" (leia-se "piano electrónico da loja dos 300") e 2 mulheres de lingerie cheia de brilhantes a quem insistiam chamar bailarinas. Ainda assim, o "Sachola" não deixava de fazer furor nas aldeias da região, onde ia com frequência animar bailes em noites de Verão e festas religiosas. Tal não acontecia somente na freguesia de Arcanhos de Baixo, onde foi corrido a pontapé e 2 garrafas de cerveja na cabeça (uma delas cheia), por fazer olhinhos à filha ilegítima do padre, a Natércia, acto logo violentamente retaliado pela "matilha" de seguidores que a mulher tinha sempre ao pé a pagar-lhe bebidas e pacotes de batatas fritas. Antero também dava som a despiques - aquele improviso de versos ordinários característicos das aldeias portuguesas - pelo que esse era o seu sonho: acordeonista de despiques profissional.

(Esta história há-de continuar...)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Venda de Esquina

(C) Google
Aqui há tempos vi um filme, no meio do zapping habitual na nossa televisão que, não podendo agradar a todos, opta por não agradar a ninguém. Tratava-se de uma distopia, de baixo orçamento, que primava, ainda assim, pela originalidade da ideia. Um qualquer vírus começava-se a propagar, com o sintoma de aumento dos níveis de testosterona nos homens. Com isso, estes ficavam com uma agressividade maior, principalmente face às mulheres. Com o tempo, estas eram cada vez mais espancadas e, até mesmo, mortas. As mulheres iam desaparecendo no planeta, com a tal propagação do vírus e, em 2 ou 3 gerações, os seres humanos extinguir-se-iam. No final do filme, era apresentado ao espectador a finalidade de tal acontecimento: tratava-se de um processo silencioso de colonização do planeta Terra por parte de uns extraterrestres.

Pois bem, para quem acha que sou um teórico de conspiração e não gosta disso, não precisa ler mais nenhum parágrafo.

Vamos lá ver. Portugal sempre terá desafiado a ordem mundial das coisas... Quanto mais não seja, a partir do momento em que se tornou uma potência, derivado dos Descobrimentos ultramarinos. Senão, vejamos: Espanha viveu toda a sua história com o recalcalmento de inúmeras tentativas de nos anexar. Os ingleses, por mais que uma vez, lá se iam "encostando", a ver se ficavam com o burgo - tanto que a letra original d'"A Portuguesa" manda marchar contra os Bretões, ao invés dos canhões - os holandeses e ingleses "roubaram" o quanto puderam dos nossos territórios ultramarinos após a borrada de D. Sebastião, os grandes tiranos europeus guardavam a invasão a Portugal como a última grande demanda até ao Atlântico... Será que Portugal, na sua grande insignificância, interessa ou estorva assim tanto a alguém? Alguém, por aí (e agora não estou a falar em ET's, car*lho), deseja controlar este pequeno rectângulo que, embora poucos saibam, está cheio de recursos e é das melhores janelas da Europa para o Atlântico? Se sim, porquê?

Voltemos atrás no tempo... O século XX começa com as nações europeias a quererem repartir África por elas todas (ou a Inglaterra a querer dar só um bocadinho aqui e ali), deixando umas migalhas a quem "lá chegou primeiro" - nós. A gente quis um pouco mais, e logo os nossos mais antigos "aliados" estacionaram navios de guerra para nos tramar. A monarquia que tanto valor dava a esse nosso Império logo foi aniquilada. O Estado Novo que segurou esse colonialismo até ao fim, foi minado aqui e ali por outras potências que forneceram as guerrilhas que, bem, lutavam pela sua libertação em África...
Chegados ao fim disso, o que acontece? No jovem regime multipartidário de 74/75 é aclamado um novo Rei de Portugal e dos Algarves, de seu nome Mário Soares, que se passeia como se tivesse feito a Revolução sozinho. Logo se concentra em acabar com a guerra: concede independência às nações africanas e deixa de dar apoio do Governo aos portugueses (civis e militares) que lá estão, condenados a perseguição e fuga pela vida; sem planear o nascimento dessas novas nações, condenadas a guerras civis longas e mortíferas. Será que, nesse momento, o Bochechas não vendeu Portugal a alguém? Se sim, em troca do quê?
Desde então, e com a benção de Lorde Soares, Portugal meteu-se numa Comunidade Europeia e num Euro em tons de Reich e Marco, respectivamente, e como a actualidade comprova. O dia-a-dia de governação portuguesa resulta na criação de condições para os (jovens) profissionais portugueses não terem... Condições de desempenharem as suas funções. A emigração passa a ser uma opção cada vez mais comum, inclusive aconselhada pelos governantes e sempre relembrada, seja por anúncios da Sagres, seja pela personagem eleita como o "mais melhor" cantor das "camas solitárias" que, ele próprio ex-emigrante, muitas canções "compõe" baseadas na sua experiência. A cultura e as tradições nacionais estão cada vez mais destruídas e esquecidas, substituídas por modas importadas e com grandes nomes da história vetados ao pó. A língua portuguesa começa a ser mais brasileira (no palácio de Buckingham, há tabuletas com mensagens explicativas onde as versões portuguesas são sinalizadas com a bandeira do Brasil). No estrangeiro, Portugal é desconhecido, como se fosse uma província espanhola. De Hollywood, sempre que há referências a explorações ultramarinas, isso é sinónimo de Espanha - basta dar como exemplo as várias versões da viagem de Colombo, face à inexistência de uma sequer da viagem do Gama ou do Álvares Cabral, a primeira até bastante romantizada por Camões que, igualmente, vê Cervantes e os clássicos gregos já gastos nessas mega-produções e nem um cantinho para o épico Lusíadas...
A cereja no topo do bolo é, ainda assim, a estupidez. Sim, porque de geração em geração, os portugueses estão cada vez mais estúpidos. Uma qualquer excepção dirá "eu não sou estúpido, nem todos o são". Parabéns, é a excepção que confirma a regra! Os jovens que se vêem por aí são cada vez mais ignorantes, burros e sem ambições (reais) na vida. E, o pior, é que esse modelo é propagandeado pelas televisões em novelas, reality shows e programas "da Júlia" que, mais que mostrar o verdadeiro Portugal, impregnam esse verdadeiro Portugal no quotidiano...

Portugal fica, assim, cada vez mais sem cultura, identidade, coesão, intelecto, noção do que se vai passando, capacidade de reacção, potencial e talento que debanda para o estrangeiro. Fica um rectângulo com uns poucos proles e cheio de recursos que ninguém aproveita e ninguém guia para se aproveitar. Quem teria intenção disto?...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

No País do Fado

"Ai o meu triste Fado"... Bem-vindos a Portugal. O país que, antes de entrar na crise, já tinha os cidadãos cabisbaixos e com cara mal-disposta; o país onde um dia de trabalho é passado com um colega a intrigar sobre outros colegas; o país onde, mais que uma crise de corrupção, economia ou política, há uma crise de valores; o país onde qualquer nabo gosta de mandar postas a outros nabos, como se fosse ele o legítimo corrector de costumes (e eu sou um exemplo desses nabos); o país onde, cansados do português difícil de escrever, decidiram optar pelo português da Rede Record, rotineiro nos serões da SIC. E depois, fica esse Fado dos tristes e vítimas, que estão a ser tramados por todos os lados e, mesmo assim, nada fazem para se safarem... Também não quero exagerar, qual Miguel Gonçalves... É o triste Fado com que temos que levar nos programas da manhã com histórias tristes e um investigador jornalista criminal a debitar outras tantas...

Serve isto para falar um pouco da fantochada que tem vindo a haver à volta de um acontecimento para o qual, penso eu, deveria de haver um respeito e privacidade maiores: na passada sexta-feira, na preparação para a Queima das Fitas portuense, foi assassinado um jovem na sucessão de um assalto.
Vamos começar pelo seguinte: em 6 anos de estudante nunca soube para que é que servia a FAP. No máximo, pensei que fossem um interface para a praxe académica sem recorrer ao latim macarrónico... Sei que têm filhos (praxes) e enteados (Orfeão Universitário), sendo que não são parcas as histórias dos filhos a f*derem a vida aos enteados... Mas dou de barato que sou o ignorante que sou e que há coisas que desconheço ou acções da FAP das quais eu até possa ter sido beneficiado. Respeito, assim, quem tenha alguma opinião sobre a dita federação e a exponha, para criticar ou elogiar, consoante os factos reconhecidos e divulgados.
O Marlon foi assassinado, brutalmente, enquanto tentava safar os seus colegas de um assalto com vista à apreensão do dinheiro que ele tanto se esforçou para ganhar num evento para o qual deu o seu tempo para se realizar. Um evento que eu não gosto muito, devo dizer, mas que exige esforço e organização por parte de muita gente. O que acontece? A maior cromalheira com direito a colunas de jornais vem logo acertar o passo à FAP por não cancelar a festa... Preferem continuar as bebedeiras que prestar "respeito" ao falecido...
O que eu tenho a dizer é que esses colunistas (chegou ao ponto de um deles ser o editor de um Jornal de Negócios...) são todos uma cambada de hipócritas... Alguém ouviu a família criticar esa decisão de continuar o espectáculo? Aliás, o devido espaço à família estará a ser respeitado, quando dão a isto uma importância capital desse tamanho? Alguém está a pensar naquilo que o rapaz iria desejar, se pudesse falar? Ele morreu a dar a vida pelo evento e ele sabia que é um antro de bebedeiras. Era o que ele queria e é respeitável fazê-lo. A família terá a sua privacidade para o enlutar e tentar ultrapassar o sucedido, sabendo que conta com o respeito e solidariedade de todos os quantos estarão na festa a honrar aquilo que o rapaz também tinha direito a festejar.

Portugal para para as suas tragédias. Tem todo o direito a fazê-lo, no bom sentido. Mas os "brandos costumes" incitam as pessoas a transformar estes momentos num "muro de lamentações". "Ai meu rico [filho, pai, mãe, etc...]" pelo Facebook com acesso público para qualquer um meter o bedelho; parem o país para a família levar com uma lembrança pública do que lhe causou dor; estamos mal e não andamos para a frente porque aconteceu a tragédia "x"... Por amor de Deus. Morreu-me um ente querido. No dia dos seus anos faríamos um churrasco. Agora não podemos fazer? É um dia para chorar e respeitar, porque na sua eterna morada o que ele quer é que nos ajoelhemos e rezemos 20 avé-marias e mantenhamos o silêncio e choremos? Tretas! Ele havia de querer continuar o churrasco, porque estará um dia bonito, e porque quer ser relembrado assim, feliz, contente e a gozar a vida... Tenho a certeza que o Marlon também quer ser lembrado como um jovem que gostava da festa e que era feliz, ao invés de perpetuar a sua dor em momentos de silêncio ensurdecedor. A verdadeira dor, a mais profunda que a sua família acarretará para todo o sempre, essa nunca desaparecerá. Continuar aquilo que o fazia mais feliz é um princípio para o respeitar e tornar eterna a sua presença. Mas não! Neste Portugal de brandos costumes, conforme vem este cromo expor uma ideia que, pelos vistos, é visão única, todo o cromo, que nem sequer conhece a família ou o rapaz, vem expor a ideia que a FAP é um bando de m*rdas e corruptos, só porque continuam com a festa que este miúdo adorava e se arriscou para que não deixasse de haver... Até afirmam que a festa arrancou na mesma noite, quando sabemos que o incidente ocorreu na véspera do arranque... Enfim, detalhes no país das "verdadeiras 1000 mentiras".

Como diria o outro Marlon, que até era mais Brando, "é tudo uma palhaçada"...

sábado, 23 de março de 2013

Gozo Monumental...

Vamos falar a sério, com calma, coerência e racionalidade: quem foi que teve a estúpida ideia de ir buscar este palhaço para comentar política na estação pública? Dou de barato uma coisa, como político, sim, ele foi o melhor dos últimos anos, sem dúvida alguma. Mas como governante? Foi uma merda, com as letras todas - é injusto dizer que só ele foi mau, tem sido um ascendente de incompetência. Só que, em Portugal, baptiza-se governo de política e, tudo o que vemos, são argumentações, ideias sem conclusão, dizeres baratos e comícios partidários sem resolução nenhuma para o nosso país que, diga-se para os menos atentos, está de pernas para o ar... Ok, esta todos sabem...

Sócrates é responsável por diversas megalomanias sem necessidade, como a 3ª autoestrada para Lisboa, o TGV e o aeroporto da OTA (apesar da necessidade e da sua não-conclusão, eram maus planeamentos), a autoestrada de Trás-os-Montes, etc... A governação dele pautou-se por um choradinho para antecipar eleições, um afundar da situação negativa do país num pique mais acelerado que os seus antecessores e um esconder da verdade até ao momento em que nada mais teve a fazer senao chamar ajuda externa, admitindo finalmente que não tinha soluções e que as promessas de melhorias em "2000 e..." eram somente devaneios para suprimir os anseios da prole... Em suma, a par do actual executivo, Sócrates foi the ultimate coveiro, com a diferença de estes actuais estarem a cumprir com um acordo que o seu executivo assinou... E mais, casos jurídicos sobre corrupção onde ele teria tomado parte, sem explicação final e "abafados" pela imprensa, qual Relvas...

Sócrates foi afastado do Governo, foi viver para Paris, quiçá sustentado por dinheiro público (nosso), tirar um curso qualquer, como que um heroico exilado. Volta agora, para um cargo honorário público, novamente, onde certamente não fará um serviço de borla e dará abévias de uma função que ele executou com mestria de nabo... Quem não me diz que, tal como muitos outros, isto não é apenas o princípio do "grandioso" caminha para tornar este homem num Presidente da Repúblic, o cargo dos passeios, bitaits e da "miserável" mas valiosa reforma?

O que me chateia mais nem é isto... Nem ao Marcelo nem ao Sousa Tavares ligo, que nem tenho em tão má consideração. É só mudar de canal. O que me chateia é que já vi pelas redes sociais manifestações de apoio, admiração e veneração pelo homem e pelo futuro dele como comentador... Esta é a grande prova que a raíz da crise, o grande tumor que iniciou todo este cancro, estava, não nos órgãos de soberania, mas no povo. Sim, esse que é a grande vítima de todo este cortejo de más decisões. Afinal, com a existência de PS's sócratistas (ou sócretinos), como muitos outros devem haver admiradores de outros políticos de m*rda, chegamos à conclusão que Portugal é um país de seguidistas. Não optam pela melhor estratégia, ideia ou curriculum. Em vez disso, a grande maioria dos comuns votantes segue cegamente a pessoa mais bonita, o líder mais carismático do seu partido, a sua cor cega... Optam por dar "mais voz à oposição", "mais peso às políticas de esquerda", maior continuidade ao duo PS/PSD, em vez de optarem pelo melhor colocado para resolver os nossos problemas de gestão.

Sim, porque os partidos deveriam funcionar como empresas de prestação de serviços de gestão de uma companhia, o nosso país. Com base no seu currículo e no de quem forma a equipa de gestão, com base no projecto e no planeamento, o nosso país "contrataria" então o partido para o desempenho do serviço, tendo no fim de cada ano esta equipa que prestar provas aos "patrões". Em caso de incompetência, um despedimento e fim de contrato por justa causa sem direito a qualquer indemnização. Sim, um partido político deveria consistir nisto, uma equipa de empregados que contrataríamos para trabalhar para nós... Ouviram [leram] bem, seriam os nosso empregados. Em vez disso, são organizações fechadas, onde a argumentação e o compadrio serve para subir a pulso e onde todos devem remar para o mesmo lado, exactamente o lado oposto dos restantes partidos. Uma vez no poder (porque em Portugal eles não são nossos empregados, são afinal a maior posição de poder) é para seguir o melhor caminho para o partido, não para o país... E o povo, acede a estes princípios, deixando-se enganar pela forma como são apresentados...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Mulher Moderna


O divórcio, hoje em dia, é usado cada vez mais como arma de arremesso do feminismo. Já extravasou em muito os limites das célebres músicas da Ágata, em que a saudosa Maria Fernanda se passava com o marido “bigodaças” que lhe devia “acertar o passo” todos os dias, ao troco do que ela, com toda a razão do mundo, retorquia choramingando que “Não és homem para mim, eu mereço bem melhor”, “podes ficar com o carro, a casa [e mais não sei o quê], mas não fiques com ele”, sendo que o “ele” era o “Francisquinho, meu amor”… Enfim, quem ouvisse os atentados à arte em que as canções de Ágata consistiam, com a sua voz inconfundível e o sintetizador de baile (uma autêntica orquestra) ficava com a ideia que a mulher estava toda negra, que o “bigodaças” chegava a casa do café, bêbedo como um menino, f*dido porque o seu Benfica perdeu mais uma vez e desatava a “azapar” na Maria Fernanda e no Francisquinho porque a comida se encontrava demasiado insossa, ou porque a mulher lhe trocou as almofadas. Começou a surgir, então, o conceito de divórcio nas mentes menos habituadas. Um casal tem problemas incorrigíveis, de parte a parte, e termina a relação matrimonial. No entanto, a mensagem de Ágata propagou-se de forma unilateral e clara: a mulher é fraquinha, leva no pelo quando dá na gana ao homem e, por essa razão, deve-se divorciar pelos maus-tratos…

Em pleno século XXI, chega a Internet ADSL e fibra e mais não sei o quê em todo o seu esplendor. A mulher, que saiu de casa para trabalhar, volta até casa, pela crise, senta-se no seu computador com Internet à borla e toma contacto com esse mundo. Facebook e Google, as “escadarias para o céu”, as fontes de conhecimento. E conhecimento é poder. E com grande poder vem grande responsabilidade. E poder a mais desencaminha.

Hoje vive-se o paradigma da mulher moderna. Qualquer mente equilibrada pensa: mulher moderna é a mulher que vive a sua vida como um homem, isto é, tenta ser feliz, trabalha, come, manda e obedece, equilibra a sua vida com a vida dos que a rodeiam, tem valores e é fiel a si mesma… Penso que o próprio Dalai Lama poderia ter esta noção, ele que é sempre muito assertivo nas suas análises e reflexões. Se ele não a tem, tenho-a eu. No entanto, a mulher moderna surge na nossa sociedade (tão “tuga”) com outro significado: está bem é sozinha, depende de alguém mas não o quer admitir, gosta é de sair com as amigas que são da mesma forma, quer-se vestir para agradar ao mundo, é superficial e já não se diverte com as maravilhas do “mundo antigo”, rendida à “cosmopolitanice” deste novo mundo onde se encontra, deixando de ser fiel ao que sempre foi e aos valores que sempre seguiu.
Surge esta nova metamorfose do divórcio. A mulher moderna não precisa do marido, ele é que precisa dela, porque a noção de uma interdependência no casamento passou-lhes ao lado. A mulher moderna é sempre a vítima e as coisas que fez mal ao marido, foi por culpa dele… Ou melhor, não aconteceram porque não interessa falar. A mulher moderna esquece rapidamente as boas experiências de toda a sua história porque, agora, com a sua metamorfose, as boas experiências são algo completamente diferente. Em suma, a mulher moderna tem sempre razão, até mesmo quando não tem… Mais aberrante que um machismo do qual se queixa por “peanuts”, é o feminismo que exulta com toda a força da sua ingenuidade.

A mulher moderna divorcia-se, sem dar a adivinhar que a relação está mal, só porque se lembrou, da noite para o dia, de transformar o seu “marido exemplar” no homem que “sempre a tratou mal”… Não explica, apenas é como é e é assim e acabou. A mulher moderna tem sempre razão, reitero, e os filhos que lidem com essa razão, quer a compreendam quer não…

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Portugal Menopausico

A Tertúlia da Má Língua parecia ter entrado na menopausa, daquelas que atiram a sua vítima para o Facebook "all of the time" para perder a sua vida. Há que continuar a escrever, mas é, que a gente ainda é bem nova.
Começamos por falar de Lisboa: de Lisboa, nem bom vento, nem bom casamento. Infelizmente, para quem lá vive também, é só um cheiro a m*rda repugnante, que sai das mãos daqueles a quem entregámos o nosso destino governamental por 4 anos - eles fazem porcaria que fica por mais 20 anos, em cada 4 que lá passam.
Um jornal vem falar de reuniões secretas para aqui para o Norte. Uma notícia que caiu bem no seio de uma certa instituição que gosta de fazer reuniões secretas... Com jornais. Um ciclo vicioso que só vai acabar quando alguém for apanhado... Cá em cima, pois em Lisboa as condenações não levam a nada.
O que convém ao despotismo é que o povo perca largos pontos de Q.I. a assistir aos especiais, directos e 24/7 da Casa dos Segredos. Lá é só beldades e intelectos de futuro, que nos fazem pensar que há esperança para os caminhos do nosso país: há muito candidato a calceteiro em Portugal, só cerca de 80 mil foram aos castings do programa. Que bom que é ouvir as esganiçadas Teresa Guilherme/Fátima Lopes/Júlia Pinheiro (já nem sei qual delas ocupa o trono da sopeirice portuguesa) a falarem das fofocas mais estapafúrdias durante esses programas. São profissionais do entretenimento e cultura, prestando um grande serviço à sociedade, sem dúvida. Aliás, que cultura não teríamos hojes se Camões se inspirasse em Tony Carreira, se Amadeo vivesse em festas de socialites em Cascais, se Fernando Pessoa tivesse começado a sua carreira a compor para a Ágata, se Luís de Freitas Branco tivesse começado como roupeiro do Estrela de Amadora... Sim, porque Luís de Freitas Branco é um celebérrimo comentador de desporto na televisão, topam?... Estamos bem de cultura, quem precisa de complicar muito com professores de EVT e música. Foram para um trabalho que é uma brincadeira, ninguém os mandou ir, comam lá com o desemprego, que o importante é ter profissionais de juventude partidária - são o futuro da nação.

Quem respira de alívio com todo este entretenimento cultural são os nossos empregados, aos quais nós pagamos salários mínimos e se esfalfam para garantir o melhor para cada um de nós - os senhores na Assembleia da República. E, porque somos todos uma grande e feliz família, porque não uns lugares para os filhos e sobrinhos de amigos de amigos (a repetição foi propositada) a assessorar, essa grande tarefa que é essencial para a economia do país - dá cabo dela.

Está quase a chegar o momento. Vêm aí legislativas. A cadeirinha já queima o rabo de quem lá passou estes anos, mas vai embora feliz, com bolsos cheios para si e para os amigos e direito a reformas de ministro, governante, parlamentar, etc. O seguinte virá, a toque de Edward Elgar; sairá a toque fúnebre de Mahler (Titan, 3º andamento), depois de promessas para um povo que, de 10 Milhões, passou rapidamente para os poucos que englobam "a família". E votar nos outros partidos? Até era bom! Eles muito reclamam, falam de fora com as ideias que é fácil ter de fora e nem se levantam para votar a favor de cortes na máquina parlamentar e governativa. Tudo diferente para uma continuidade, felizmente, porque é impensável governar a salários mínimos.

É uma história interminável esta. História interminável, uma canção que caiu bem no ouvido de alguns. Julgo que o refrão diz "lembra-te da promessa que fizeste"...

P.S.: julgo que não é preciso avisar que este texto vem impregnado de um bafo a ironia - ninguém virá ler, também...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Os "doutorres" da Música

“Dá-se aulas de música!” Frase estúpida, frequentemente proferida por todos aqueles que desejam enganar a clientela.

O que é música? Chegava lá um aluno do conservatório que precisava de ajuda para apresentar uma análise para ATC, de uma Fuga de Bach, e o “professor” ficava a olhar para ele, pensando que a Fuga era “música que simboliza alguém a correr”.

E mais, quando especificam dão aulas de tudo e mais alguma coisa (sem terem tido aulas dessa temática), Formação Musical (licenciados de instrumento muitas vezes não se arriscam com medo de não fazerem um bom trabalho), todo o tipo de instrumentos de sopro (muitas vezes nem um tocam), classes de conjunto (em aulas particulares?).

Andam uns a fazer os conservatórios até ao fim, ficando com um domínio instrumental e uma cultura musical bastante abrangentes, outros fazem Licenciaturas, fazendo trabalhos enormes com prazos apertadíssimos, como se diz na gíria académica, queimar as pestaninhas, gastando rios de dinheiro em material, desde livros até instrumentos e todo o tipo de acessórios, frequentando colóquios e congressos em Portugal e no estrangeiro, viajando para ter aulas particulares com pedagogos ou solistas de renome. Noutro patamar, já encontramos os Mestrandos em Ensino de Música em que, bem antes do Relatório de Estágio, aparecem os trabalhos de investigação em inovadoras metodologias em ensino instrumental na Europa e no Mundo, correntes de pensamento educacional musical e não só, reflexões individuais devidamente fundamentadas sobre o ensino de música, sendo essas opiniões muitas vezes achincalhadas pelos professores, não que não concordem com elas, mas sim para provocar uma resposta com fundamento do aluno, fazendo com que este parafraseie muitas vezes autores cujas obras fazem parte da bibliografia recomendada para essa cadeira, e sem tirar o devido valor às disciplinas que reflectem sobre a legislação educacional bem como o desenvolvimento curricular das disciplinas que exerçamos.

E no fim o mais importante de tudo: As horas de estudo instrumental, os quilos de resmas de repertório lido e montado, exames, provas de recital e de concerto, ensembles, orquestras... Um trabalho de uma vida!

Depois aparecem estes burlões, que não sabem nada de nada, fazem uns solos na banda, fizeram o Freitas Gazul (às vezes nem isso), nem sabem porque é que se desenha assim uma Clave de Sol e já se intitulam professores e dão aulas de tudo e mais alguma coisa. O pior é que há gente que lhes pede opinião e conselhos e quem lhes dê tanto valor que não teriam se exercessem com competência dentro da área de estudos que exploraram.

Concorrência desleal, ilegal, imoral...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Visca Farça!

Hoje é quase um sacrilégio negar que o FC Barcelona dos últimos anos é a melhor equipa de futebol da história. Igualmente para a negação de Lionel Messi como o melhor futebolista da história. São duas verdades que o mundo dos pacóvios do futebol não têm problemas em manter vivas. Lembro-me de um Maradona que que, sozinho, levava Argentina e Nápoles às costas para grandes e inimagináveis vitórias. Mas o melhor de sempre é Messi, que não leva a Argentina a lado nenhum e sem Xavi e Iniesta não vai, ele próprio, tão longe quanto se pinta. Ainda bem, porque uma equipa vale pelo seu todo.

A fama, quando favorável, lá traz o seu andarilho, de vez em quando, catapultando um clube para o apoio incondicional da opinião pública em geral. Hoje, em Espanha, um benefício ao Real Madrid - onde José Mourinho faz da arrogância para o exterior uma das suas maiores forças (como sempre o fez) - "faz cair o carmo e a trindade". Um benefício ao Barcelona é "manha" dos seus jogadores. Neste fim-de-semana, a vítima foi o Atlético de Madrid. Messi marca de livre, bem executado, mas num momento em que o árbitro não apitara, a barreira adversária estava ainda a formar-se e o guarda-redes colchonero estava encostado ao poste, a orientar. Não gostei muito quando, há uns anos, o FC Porto o fez ao Arsenal, muito menos gostei agora. Mais: os jogadores da capital queixam-se de uma mão de Busquets dentro da área, escandalosa, mas que só o árbitro não viu.
Eu ainda sei de mais histórias. Como trilhou, afinal, este Barcelona o seu "caminho para a eternidade"? Na Liga dos Campeões do ano de 2009, só o árbitro não viu um penalty escandaloso de Piqué, por mão, contra o Chelsea. Chegava para os ingleses eliminarem o Barcelona. Ao invés, estes foram até à vitória na final "com o melhor futebol", "sem dar hipóteses" e com "Messi em grande e decisivo". Em 2011, o Arsenal vê van Persie ser expulso por uma infantilidade... mas do árbitro que sua. Todos se lembram do pobre coitado a queixar-se que não tinha ouvido o apito, sendo expulso por seguir jogo após esse dito apito. O Arsenal, com 10, viu, assim, cair a sua vantagem da primeira mão, para o Barcelona seguir em frente e ser campeão europeu, de novo. Em 2011, em Agosto, a coisa tornou-se pessoal. Na Supertaça europeia, completamente seco pelo Porto durante grande parte do jogo, o Barça lá chega a um golo por desconcentração dos portugueses. Um penalty perdoado (o treinador do Porto viu 2) e duas expulsões (uma delas mal ajuizada) depois, os catalães lá resolveram o jogo.

Aí estão, casos que dão pano para mangas. No entanto, para a história ficam queixas de uma certa eliminatória com o Inter, em 2010, que ainda não percebi se mandam vir por critérios de arbitragem, o estilo de jogo dos italianos ou algum azedume resultante do resultado que ninguém desejava. Eu vi um Inter ganhar justamente em casa e, privado de menos um por uma expulsão (mais uma) mal ajuizada, defender o resultado conforme pôde (num estilo do qual não gostei).
Isto tudo, para dizer que, na boca de quem comanda as opiniões, formou-se a opinião de que esta equipa deveria reencarnar o romantismo do "futebolês" e reduzir tudo o resto a paisagem. Sim, jogam bem, mas quantas vezes não lhes foi aberto um "caminho opcional", como neste fim-de-semana se viu? Quantas vezes as atitudes anti-desportivas e violentas dos seus jogadores não foram apelidadas de "raça" e "mística"? Quantas vezes o Messi não usa a sua carinha de santo para se escudar num proteccionismo (sim, porque o Ronaldo, sendo parolo, vai sozinho contra tudo e contra todos que o gostam de denegrir)?

Perante isto, choca-me o "portuguesismo" de muitos, que começam a torcer por um clube estrangeiro, porque joga bem, sim, mas, principalmente, porque está na moda - são mais cabeças ocas a esconder a verdade. E ainda dizem "não vejo jogos da nossa liga porque, o que importa, é ver o Barcelona". Gritam golos do Barcelona, mesmo contra equipas com portugueses em campo. Eu sou português e o meu clube é só um e do nosso país (no meu caso, é o FC Porto). Quando uma equipa por essa Europa se destaca com um futebol que marca uma era, passa para a lista dos rivais da minha, pois quero sempre que a minha seja a melhor equipa do mundo (algo que tem acontecido, para meu bem, como adepto de futebol). Não mudo as minhas cores clubísticas ou regionais.

A melhor equipa que vi jogar (em arquivo) foi o FC Porto de finais da década de 80. Pedroto e Artur Jorge (depois ofereceram a Ivic) contruíram uma equipa caseira, raçuda (no verdadeiro sentido) e com mística, capaz de desmontar os adversários com futebol rápido e tricotado, espoliada em Basileia a favor da Juventus do Platini (quem havia de ser) e que deixou o Bayern Munique completamente perdido em 3 minutos mágicos protagonizados por Rabbah Madjer, na noite inesquecível de Viena. O melhor jogador que já vi jogar (também em arquivo) foi Diego Armando Maradona. Se Messi é genial, Maradona foi... Deus, feito jogador, descido à terra. E mais não tenho a dizer sobre as minhas admirações.

O Barcelona de hoje são 20 e tais jogadores, numa estrutura forte e numa super-equipa com um valor tremendo. São a melhor equipa, sem dúvida, e merecem destaque pela era que marcam. Mas, das poucas maneiras de os derrotar, têm havido ajudas para toldar essas vias. É algo que falaciosamente tenta catapultar esta equipa para uma eternidade falsa. Mas, cabeças ponderadas, não esquecem a pequena, mas preponderante percentagem de farsa.

P.S.: eu sei que se escreve farsa, e não farça. Foi só um trocadilho.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A República dos Nabos

Nós somos uma vergonha. O país, os portugueses (hoje), quem os governa, o que aqui se produz, resumido numa só palavra - vergonha. E não me lamento de ser duro em nenhuma palavra. De vergonha em vergonha, passamos pelo governo, seguido do governo, com mais governo, pela comunicação social, pela revista Sábado... Sim, porque há que distinguir a comunicação social e os média da revista Sábado, estes devem ser mais merdia. Quis chamar-nos a todos de burros com um inquérito todo "pi-pi", mas com critérios questionáveis. Diga-se, foram entrevistar 5 ou 6 alunos da turma que entrou num curso superior com as notas dos exames de religião moral, só pode. Quer dizer, o que havia para esconder, de modo a ter de se colocar uma amostra tão pequena de inquiridos?

Não me querendo armar em revista Sábado, desafio qualquer um dos leitores a fazer o seguinte: experimentem perguntar a qualquer miúdo quem é (ou quem foi) Luís de Freitas Branco. Ou Camillo Castello Branco. Certamente, ao primeiro, respondem prontamente que é um comentador de futebol e ao segundo respondem que é um paneleiro qualquer todo pintado a viver às custas sabe-se lá do quê, porque não tem aspecto de quem trabalhe. Pior, se optarem por perguntar quem foi Domingos Bontempo, Júlio Dinis, Júlio Pomar, Barata Feyo... Pois, aí a coisa complica-se. Caminhamos para que ninguém se lembre, um dia, de quem foi Camões. Talvez seja reconhecido como uma gíria para carros sem um farol funcional, no máximo.
A crise de que todos nos queixamos não tem solução. Isto, porque uma das suas várias vertentes, talvez a essencial, é humana. Não há cultura em Portugal. Ou, a pouca que há, está pelas horas. As pessoas gostavam de chamar parolos aos desgraçados de zonas rurais que, bem vermelhinhos, se juntavam ao som de um acordeão a mandar bocas foleiras e a passar bons tempos. Pois parolos, são os portugueses normais. O símbolo disso tudo? Não, não é o Tony. É toda a família Carreira. As duas jovens cópias rascas do Enrique Iglésias e a cópia rasca de um ror de músicas, que é o pai. Mentalizem-se, essa gente não simboliza música. Talvez aquelas bandas de baile, que fazem autênticas tournées de Verão em festitas engraçadas, possam ser um ar do Portugal profundo tradicional. Mas, um bando de ganapos e o seu pai, que Deus os tenha, com um repertório pimba, tratados e louvados como estrelas do melhor rock? Nem pensar.

O nosso país ainda vive uma mentalidade "abrilista". E em que consiste? Vá, a Revolução de 25 de Abril, como dizem os comunistas com alguma razão, começou mas não terminou. Cessou um regime totalitário, para, após um governo militar de transição, se passar o país para as mãos dos boys, que fugiram às obrigações da Pátria (ainda que mal designadas) e voltaram depois da Revolução, aclamados como heróis. Os boys que nos meteram na UE (CEE) para ganharmos vícios de gasto, e agora não sabem cortar a esses vícios, quando não os podemos suportar. A mentalidade deles nunca passou por soluções para os problemas complexos que surgem sempre, mas, somente, ruptura com o passado. Ruptura é a palavra de ordem de Portugal. Rompeu-se com tudo do passado, bom ou mau. Heróis, génios, lições que a História nos deu, a nossa própria origem. Passou a ser chato apreciar arte, é bom é ouvir o comercial. História de Portugal é chata, já não interessa saber quanto sangue jorrou para sermos uma Nação autónoma, sei lá quem foi o Infante D. Henrique. O que é importante é ter um feriado para a República, a nossa Fundação e a Restauração da nossa Independência que se danem.

Portugal é um país riquíssimo na sua alma. Querem um herói digno de Hollywood? D. Nuno Álvares Pereira, D. Afonso Henriques, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral... Querem um génio musical? Domingos Bontempo, Carlos Seixas, Luís de Freitas Branco, Jolly Braga Santos, Fernando Lopes Graça... Querem um génio das artes plásticas? Amadeo de Souza-Cardozo, Júlio Pomar, Júlio Resende... Querem um génio da literatura? Pascoaes, Eça de Queiroz, Júlio Dinis, Camillo Castello Branco, Fernando Pessoa, Almeida Garrett... Até mesmo no futebol, a religião nacional, vivemos com a História confinada ao Eusébio, quando eu, que falo pelo clube que venero (o FC Porto) posso ainda falar de Pinga, Virgílio, Barrigana... E nunca os vi jogar, fazem é parte de uma rica História e qualquer outro clube também os tem mais.

Vamos rompendo com o passado, porque é norma fazê-lo e porque a linha cronológica que para trás fica vai passando de moda. Portugal vai morrendo e os cortes que se fazem passam sempre pelas artes, reparam nisso? Os média, o veículo de comunicação, em nada ajudam. Propagandeiam a família Carreira e seus pares, que empobrecem a cultura nacional e, para sabermos de bons concertos e boa arte, temos que procurar no canal com menos audiência (RTP2) - porque será?

Portugal vai morrendo pelo coração, por onde lhe sugam a alma. E nós, alguns que apreciamos arte de uma forma vasta e bem cultivada (porque não se pode dizer somente que o erudito é que é bom e acabou), somos esquecidos e passados para mobília com pó, tenhamos a idade que tivermos. "Nós somos os mortos".

P.S.: é injusto esquecer o Fado, mas há que relembrar que também é do melhor que a Nossa Arte tem. Apesar de a má língua barata falar que a sua distinção recente de património imaterial seja somente para tapar os verdadeiros problemas, eu digo que se vão todos f*der, pois o Fado não tem culpa da crise que cabeças pequenas e corações incultos como esses promovem e expandem. Viva a Nossa Arte Portuguesa.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A raíz de todo o mal

Uma música muito popular dos anos 70 referia o seguinte: "Dinheiro [...] é a raíz de todo o mal hoje em dia". É verdade, sim senhor. Sem piada nenhuma, neste texto refere-se, somente, uma realidade: o mundo gira a dinheiro. É o grande interesse e a origem dos defeitos humanos. Ter o suficiente e, a partir daí, ter sempre mais. Ganhar poder através do dinheiro. Senão...

Porque, em tempo de crise, ganhamos poucas centenas ao mês e os gestores de topo ganham largos milhares?
Porque promessas políticas se desvanecem no início de cada mandato?
Porque um parlamento de um país tão pequeno é dos mais lotados em deputados no mundo?
Porque obras tão dispendiosas mas que exigiriam a compra de terrenos a certos magnatas insistiram em andar para a frente quando não temos dinheiro no país?
Porque, à frente do Governo, estão sempre os mesmos "cús"?
Porque é que os portugueses quando são pobres criticam e criticam e, quando se apanham ricos, deixam andar e só olham para o seu umbigo?
Porque é que somos banhados todos os dias com informação sobre cuidados paliativos e retrovirus HIV, que dão rios de dinheiro às farmaceuticas e acabam por atenuar uma morte certa, e vemos abafadas as notícias dos passos que se dão na ciência em busca de curas reais?
Porque avança lentamente a pesquisa de energias não poluentes, que hoje já são uma alternativa viável e limpa face ao petróleo?
Porque se fizeram as cruzadas, hoje encaradas como heroicas, mas, na realidade, uma chacina de inocentes e um rasto de pilhagens?
Porque há tanto interesse dos ocidentais em meter as "unhas" no oriente (sim, eles também se metem connosco, mas, e se, somente, os deixássemos em paz)?
Porque era o clero um poder tão proeminente nas monarquias cristãs da antiguidade?

A resposta para esta e outras muitas perguntas é uma: dinheiro.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Génios de Latrina

Eu agora estou mesmo lixado. Como diriam os anglo-saxões "This now has gone personal!". Bem, começando, vou contextualizar o acontecimento. Na preparação da tese de mestrado que ando a tirar, é-nos recomendado a elaboração de um website pessoal, para nos apresentarmos e darmos a conhecer alguns dos nossos dados pessoais e, também, algum do nosso portfólio como estudantes da área. Tudo bem.

A cena passa-se numa aula em anfiteatro, na qual, das últimas filas, se podem controlar os movimentos das restantes. Os perpretradores são os 3 maiores geeks que possam imaginar. O génio arrogante, o génio detestável e a tentativa falhada de génio, tão arrogante como detestável. Sentados, no seu trono de marfim lacrado num qualquer caixote de lixo perto de si, faziam o que qualquer um dos restantes presentes na aula fazia na altura - marimbavam-se para as úteis questões que o docente abordava na aula. Mas eis que os deuses do Olimpo decidem zombar dos comuns mortais no sopé da montanha. As almas agraciadas por Deus com instinto de palhaço puseram-se a visitar os websites dos restantes alunos finalistas de mestrado. Tudo bem. A reacção deles a cada visita, facilmente visível, era de troça e crítica destrutiva a cada coisa que não achassem bem, o que era basicamente tudo. A coisa mereceu destaque aqui no TML quando chegou a minha vez. Zomba à minha actividade extra-curricular no âmbito da música e crítica aos meus projectos; que me tenha sido perceptível. Encheu-se-me a alma de flatulência de palavrões, enquanto os olhos se semi-cerravam com uma vontade enorme de matar. Já devo ter sentido antes essa vontade, mas desta vez foi a fundo. O curso já me custou para caraças para chegar aqui, já comi muita "boroa" e "côdeas" para gramar com tudo, e agora estes "Zezinhos" vêm com a super-mente deles rebaixar o meu trabalho... Não só o meu, pois passaram em revista os restantes.
Que culpa tenho eu por subir a um patamar diferente ao conter uma graduação e uma formação como músico? Que culpa temos todos nós que nos tenha sido recomendado um website pessoal com informações profissionais e não um website apenas profissional? Que culpa temos todos nós de sermos requisitados para projectos diferentes durante a nossa vida académica? Que culpa tenho eu que, quando vão fazer sexo, esses 3 empata-f*das liguem mais ao preservativo que à companheira?

E é assim. Enquanto que a nós, meros trabalhadores, nos é exigido que nos ultrapassemos, a eles apenas é pedido que sejam normais, que já chega. Conheço muito génio - auto-didactas, alunos de 20 - que não prima pela arrogância ou agressividade e sabe baixar ao nosso nível, subindo muitos patamares a nível humano. Que futuro temos nós, quando os grandes intelectos são baixas promessas humanas?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sempre a dar gás...

Vamos desenhar um tracinho horizontal a meio da Europa, de forma a dividi-la em 2. Mais coisa menos coisa, em cima irão ficar os nórdicos e, em baixo, irão ficar os parolos dos latinos.
Lá estou eu a ser muito brusco. Mas não tremendamente brusco, convenhamos. Nós, latinos, somos mesmo uns parolos. Pronto, os suíços só ficam abaixo da linha em termos geográficos e os britânicos são parolinhos de vez em quando. Estereótipos fora, há muitas coisas que nos separam dos nórdicos. Não podemos dizer que eles são os maiores sem excapção, pois os 2 maiores animais que eu já vi eram oriundos de uma região acima de linha imaginária que sugeri - falo de Hitler (Áustria) e este panão norueguês o Breivik.

O que atrai mais nesse grupo de países é o civismo. Como é que há pessoas que conseguem viver como eles? Quer dizer, assim é que está correcto, mas, habituado aos nossos parâmetros, como é possível?

Como é que, em países dessa zona, se anda numa estrada com limite de 50 km/h de velocidade e ninguém anda a 55, ou 60, ou 70? Isso era impensável em Portugal... Eu, se for numa estrada que marque 70, e não ultrapassar os 75 km/h, logo vem um indivíduo com cara de pau, que acelera agressiva e vigorosamente a sua Seat Leon ou o seu Opel Corsa (estereótipos) e me ultrapassa com cara de mau, como quem diz, "não andas nada e o meu carro é o maior". Supostamente, eu é que vou a agir correctamente, mas o gajo é que é o rei, porque não está para gramar os limites de velocidade e quer mostrar que o seu carro da moda é que é... Mas será que o gajo dorme na cama com o carro e se sente excitado quando lhe acelera e fica agressivo? Eu assim fico, mas com a agressividade e vigor da minha mulher, quando se sente na posição de defender vigorosamente uma causa que lhe assista. Mas é uma mulher... Parâmetros diferentes.
Isto é só um exemplo na estrada, onde os portugueses, mais propriamente, não fazem por menos. Ele é speed nas passadeiras para passar naquela fracção de segundo em que começa o vermelho, a grande maioria dos taxistas a "assapar" porque faz parte da profissão deles andar rápido e têm sempre razão porque eles são os senhores das estradas, o inteligente que começa a deixar andar o carro quando o sinal vermelho dos peões começa a piscar, de forma que, quando chega o verde, já quase passou os semáforos, o autocarro, camião ou máquina agrícola que, normalmente na EN, nos tolda uma viagem calma... Acontece que há países, onde os limites de velocidade são cumpridos, faça a fila de trânsito que fizer, a prioridade dos peões nas passadeiras é respeitada, a segurança no trânsito urbano é uma prioridade e os veículos lentos até encostam à direita e param para deixar passar a fila de trânsito atrás deles. Onde é que isso seria concebível neste futuro país de escritores brasileiros que conhecemos.

Outro dos grandes estereótipos é o trabalhador do Estado. Há excepções, felizmente, excelentes excepções, mas, pensem lá, que ideia é que temos de um trabalhador de Estado? Sorridente como um sapo...
As forças de autoridade aqui são a última saída para os nossos problemas. Telefonamos a dizer "fui assaltado", perguntam a morada, só sabemos a rua, mas retorquem a pedir a morada completa... Grande ajuda. Se queremos encontrar um polícia, só se for em ruas apertadas onde sabemos que estão à procura de carros mal parados para passar uma multa. Ou, então, estão escondidos num sítio qualquer e, quando ouvem um motor a fundo, saltam com a raquete para mandar parar para nos medir a velocidade, álcool e afins. Vamos à esquadra pedir ajuda ou fazer uma queixa e o tom de voz é igual, seja acusador ou arguido. Uma pessoa chega lá toda "acagaçada" porque foi assaltada e fica a pensar que ainda vai preso. Isto admite-se? Sim, porque noutros locais, os polícias sinalizam a sua presença, de modo a que as pessoas até se possam dirigir a eles para pedir informações ou fazer queixas e, de forma simpática (o que, caso não saibam em Portugal, ajuda a vítima a manter a calma), tentam dar o seu contributo à causa. E a sua própria causa colectiva não se fica pelas multas de trânsito.

Outro (e último) ponto. Hospitais. Aqui vamos ao hospital, ficamos ainda mais doentes com o serviço de recepção e quase que morremos com o ambiente na sala de espera (e com a espera em si). Em muitos sítios parece um purgatório para a morgue, tal é o jeito com que os recepcionistas nos recebem como se estivessem a falar com um aspirante a morto e o ambiente febril de mais na sala. Porque é que um recepcionista não tenta acalmar o utente de hospital quando este chega atarantado com um problema. O normal é ver-se uma pessoa com cara de mal-disposto, esperando que o dia acabe mal entra para o serviço, com alguma simpatia medida às décimas... Porque não uma pessoa dedicada, bem-disposta, que nos minimize a preocupação e nos faça sentir em boas mãos? E, quanto aos utentes, porque há-de uma sala de espera estar sempre tão cheia? Sim, quem vai a um hospital sente-se mal e tem que ser tratado. Mas, há muita gente que vai a um hospital por uma pequena dor no pé, um pequeno golpe não sei aonde, etc. Tudo coisas que, em certos países, as pessoas recebem formação para tratar disso em casa. Assim, neste país à beira-mar plantado (e a afundar-se) uma pessoa com uma dor agressiva tem que esperar atrás dos que estão lá por uma constipação (também já há a triagem de Manchester) e não fica com boas perspectivas, tal o modo como o recebem. Países há (lá estou eu de novo) em que os recepcionistas nos fazem sentir em casa e em que, curiosamente, as salas de espera dos hospitais têm uma lotação consideravelmente menor.

Há excepções a tudo isto, felizmente, mas continuam a ser poucas. A verdade é que o civismo vem da mentalidade das pessoas e é pena que gostemos de copiar os Swatch's e IKEA's, mas não copiemos aquilo que esses povos têm mesmo de valor - os seus valores, por assim dizer, e uma mentalidade mais social e, até arrisco, avançada, que faz uma cultura funcionar melhor de forma colectiva, ao invés de uma mentalidade individualista, sempre a tentar safar o seu "cuzinho", mais conhecida como mentalidade do português.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Póvoa do Vazio

Eu, que até estava a ficar melhor da minha cabeça, lá calhei aqui outra vez - perdi o juízo. Estava tão bem sem me meter nisto e, agora, volto a mexer nesta m*rda deste blogue que não interessa a ninguém.
Vamos só delinear uma coisa bem clara. Este blogue já provou - ou pelo menos tentou provar - que é português (e portista) da cabeça aos pés. Aqui escreve-se na língua de Camões, e não de Jorge Amado. Porque, para escrever em português do Brasil, prefiro antes escrever em inglês. Com todo o respeito aos nossos irmãos da "Ordem e Progresso". Mas esta mixórdia a que chamam Novo Acordo Ortográfico (NAO) não mais é que mais uma manobra de facilitismo, uma Novas Oportunidades para escrever em português falcatruado. É que, ou eu estou a entender muito mal, ou as consoantes que se vão deixar de usar - consoantes mudas, chamemos-lhes assim - tinham uma função tónica na palavra. Assim, se respeitássemos a devida acentuação de uma palavra, ao chegarmos a um estabelecimento alberguista, iríamos dar de caras com a palavra "receção" e, respeitando a acentuação, leríamos recessão. O que prova que este país está mesmo em recessão em todos os sectores, principalmente no da própria identidade. Mas isto sou eu que, à beira de muitos, pouco percebo do nosso português. Se não tiverem arranjado um NAO para o dialecto mirandês, aprendo esse e utilizo-o no blogue.


Vamos ao que não interessa. As histórias que contarei a seguir, passaram-se numa povoação (ou póvoa) que fica em território minhoto mas está incluída no Douro Litoral. Lá, a fé move uma cidade inteira, chamando também a atenção de turistas de um pouco por todo o lado para assistir às suas estonteantes e mega procissões solenes. A fé leva crentes de todo o concelho a seguir a formação descalços, de joelhos ou debaixo de andores.

Há poucos dias, celebrou-se mais uma festividade santa na região - uma longa procissão. Foram quase 45 minutos à porta da igreja à espera, sem o sino deixar de repicar, ecoando na alma de cada presente. A sério, o sino não se calou até à procissão já estar a quase 1km, não dando espaço a qualquer outro tipo de som ou descanso auditivo. Seguiu, durante quase 2 horas, pelas ruas da cidade, fazendo longas paragens sem explicação - talvez fosse trânsito, cansaço, problemas na segurança dos andores...
Quase a chegar ao fim, na última grande recta (claro, o sino ligava outra vez os motores sem parar), surge uma cena algo desagradável. Uma mãe, conduzindo um carrinho de bebé, tenta arranjar a melhor maneira de se desfazer da multidão de crentes, para seguir o seu caminho. Podia esperar? Talvez. Podia ir por outro caminho? Podia. No entanto, escolheu desenvencilhar-se pelo meio da procissão, só uns segundos a perfurar a formação, tentando incomodar o mínimo. Logo se elevaram as vozes típicas de um estereótipo (mal criado na minha ideia) de peixeira a mandar vir e insultar com a senhora. As mulheres que fazem os quilómetros todos de todas as procissões, supostamente por uma razão de fé por aquele que disse um dia "aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra", são as primeiras a disparar os calhaus. Um sinal de canalização do calor humano e reactividade nortenhos para a linchação pública de um terceiro, não tendo respeito pela ocasião da qual se declaram devotos. "Ai de quem disser mal da minha Nssa. Sra. de Não Sei o Quê, que morre!".
No entanto, o reverso da medalha também acontece, na mesma cidade, embora numa festividade diferente. Aposto que mais de metade dos crentes da história que acabei de contar, também estavam presentes nesta próxima. E trata-se da mais longa procissão da região. Quase mais que 2 horas de caminho, num dia em que, por coincidência, a selecção portuguesa jogava, na África do Sul, a sua continuidade no Campeonato do Mundo de 2010. Algo de esquisito se passou nos últimos quilómetros da procissão quando, com a proximidade ao evento desportivo, a passada acelerou de forma retumbante. Então, na terra em que os devotos defendem em pé de guerra as suas manifestações de fé, decidiram despachar esta na proximidade de um jogo de futebol. Constata-se talvez um desiquilíbrio no trinómio Fado-Futebol-Fátima, com benefício do segundo e prejuízo do terceiro. Então, minhas senhoras? Que é da Nssa. Sra. dos Quilómetros agora? Já não interessa palmilhá-los do início ao fim de forma temerosa e paciente? Quando os outros desrespeitam são mal-educadas e, agora, são as primeiras a desrespeitar?


Pois, acontece, isto tudo passou-se. A igreja católica define que as procissões de fé não devem ter mais que uma hora e meia. No entanto, em muitos sítios, abusa-se. Neste em concreto, até violentos são quando aparece uma voz dissidente. É um podre de um povo que apenas vê em frente, e apenas uns centímetros, sem visão para ver à volta. Dois exemplos, de má-educação e hipocrisia, de quem se acha temeroso por fazer quilómetros chatos, quando há procissões curtas que levam mais fé cristã. É um desrespeito por quem, por exemplo, morre nestas ocasiões, como se passou na Páscoa de 2011. Vivemos num país onde o povo pode ser cego por dogmas de incultura, só porque se fazem há gerações de uma forma, recusando-se a mudar. É pena que isso aconteça também nas manifestações de fé cristã. Faz-nos perder, também, a fé Lusa...

terça-feira, 7 de junho de 2011

SOU PORTISTA COM MUITO ORGULHO: O FUTURO PRIMEIRO MINISTRO DA "CANALHA ANALFABETA,...

SOU PORTISTA COM MUITO ORGULHO: O FUTURO PRIMEIRO MINISTRO DA "CANALHA ANALFABETA,...: "in google images Eu sabia que haveria de concordar com estes estarolas da direita. Um alto quadro do PSD, por acaso um escarro nascido n..."

Vou utilizar este blogue para responder a um tipo que tem um outro blogue onde se fala, supostamente, do FC Porto, mas com uma interessante notícia sobre... Política. Um blogue estrategicamente desenhado para não receber comentários.
Ora aqui vai a resposta que ninguém vai ler:

Camarada (nome escolhido a preceito),

Partilhamos uma coisa muito boa e pura - o Portismo. Graças a Deus, nesse aspecto nasci como o senhor. Mas há uma coisa que nos distingue, sem dúvida. A mim de si e do seu camarada que anda sempre em viagem: eu tenho uma bandeira, verde e vermelha e vocês, por vossa vontade, pintavam-na de verde e rosa; eu tenho um país chamado Portugal e vocês têm um partido chamado PS; eu voto em consciência, na pessoa que me inspirar mais confiança e vocês votam mãozinha cor-de-rosa porque é mãozinha cor-de-rosa, esteja lá Jesus Cristo ou o Luís Filipe Vieira (penso que é a nossa imagem comum de asno).
Cada um faz o que quer do seu blogue, mas vocês têm a Câmara Corporativa dos Bolcheviques para falar da política pintada de rosa, porque, no fundo, a vossa conversa é essa: política, política e mais política. Falar de alguém para governar... Népia.

Passos Coelho tirou o curso aos 37. Deixa tirar. Ao menos tirou. De outros não se pode assegurar o mesmo. Aliás, eu como estudante de engenharia, acho uma afronta que se deixe passar toda a história da Licenciatura ao domingo quando, se fosse eu a ser suspeita disso, ninguém me largava até apurarem o caso, ficando para sempre com o nome manchado. Foi administrador de empresas muito cedo, para vocês. Mas ao menos não administrou nada em escutas. E dizem-me vocês, como portistas que todos somos, "Ai e o Pinto da Costa safou-se com a ilegalidade das escutas" WRONG. As escutas foram dadas como inválidas, pode-se ler no acórdão, e, ao contrário das escutas do freeport, não foram destruídas.

E assim, o narigudo bolchevique se foi safando, inventando as campanhas negras, rebaptizando assim a m*rda que fazia durante os anos. Foi o Guterres que nos endividou com 10 estádios de futebol num total necessário de 6 e com uma ponte sobre o Tejo estrategicamente plantada na zona mais larga do estuário. Foi o Pinóquio que nos empurrou para TGV's e aeroportos. No entanto, aqueles 2 anos e tal dos laranjas é que estragaram o país. Já viram?

E ainda falam das reformas, como se só o Catroga é que abusasse nisso. Pois, vejam só, é mal geral. E, acontece, Passos Coelho foi o único a negar reformas e pensões. Aliás, de tachos anda o aparelho governativo cheio. Todos os anos lá aparecem aqueles velhos - que foram os heróis do 25/4 a partir do exílio (aka fuga ao serviço militar), que entregaram as colónias aos nativos, pondo em risco a vida dos portugueses de lá e acabando com as suas perspectivas de futuro - a ver se sobra massa no tacho (O Manuel "tenho um sonho" Alegre nunca falta). E a verdade é: quando fomos todos a estas legislativas, não votámos no melhor, votámos no menos mau. Passos não tem experiência, é completamente novo e, ao menos, não tem o historial de governo na outra córjea toda. Mas não inspira confiança, nenhum deles o faz. Sócrates destruiu-nos, mentiu sobre as semelhanças dos seus PEC's e da ajuda externa (são diferentes) para fazer de coitadinho e ganhar as eleições - falhou. Alterou os cursos artísticos tapando as vias ao curso supletivo que, pela minha experiência, é o curso que mais e melhores músicos forma em Portugal, em detrimento de cursos integrados, mas em que das turmas de meninos muitos não se aproveitam. Aumentou a facilidade do ensino até ao 3º ciclo para obter boas estatísticas. Fechou maternidades em todo o lado. O Passos ainda não fez nada, porque não tomou posse. Poucas esperanças temos. Agora não vou falar já mal dele só porque sou rosinha. Aliás, ao contrário de vocês todos, como já referi, não voto à esquerda ou à direita, não voto num partido. Voto em frente, por Portugal. Para comunistas e fascistas bastaram os regimes totalitários do séc. XX. Queremos portugueses, patriotas... Do mal, o menos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Que nem portas...

 
Não, não vou falar do Paulo Portas ou de política ou eleições. Talvez recorra a essa cambada, sim, mas para analogias. O ideal até era nem correr.
A verdade é que, bem vistas as coisas, como raio é que nos podemos ser um país com algum pingo de esperança? Ah? A sério.
Nós somos governados por burros. Dou o benefício da dúvida ao novo governo que há-de entrar em funções, ainda não mexeram nisto, pouca esperança tenho, sim senhor, mas esperemos para ver. Mas, até ver, temos sido governados por burros... Ou até são inteligentes. Digo mesmo mais, finos. Para o que lhes interessa, são autênticos Einsteins... Ou chefes Oliviers, sempre à volta do tacho, à cata do que sobra. Cús velhos, que fugiram à guerra mas foram aclamados heróis do 25 de Abril, por terem escrito poemas ou por terem entregue as colónias de repente, colocando em risco a vida dos portugueses que lá habitavam, estragando-lhes as perspectivas de futuro (a alguns até foi bem feito, que havia quem tratasse os africanos abaixo de cão e mereciam que os nativos lhes dessem uma boa sova em retribuição; matar é que não). Pronto, em suma, somos governados por m*rda viscosa: cheira mal e custa a saír.
Mas, também, verdade seja dita. O povo português, infelizmente na sua maioria (pois conhece-se boa gente que se aproveita; pronto, a mim ninguém aproveita)... Já me perdi... Ah, o povo português, na sua maioria, é constituído por muitos burros. A sério, muito muito ignorante e burro.

Vamos começar por partes, e aqui vai a prometida analogia. Nunca ninguém ouviu, na televisão, uma mulher ou outra virar-se e dizer "Ai Socras, você fala muito bem, vou votar em si" ou "O Passos Coelho é muito bonito, vou votar nele" ou "O Paulo Portas dançou comigo, vou votar nele" ou "O Jerónimo é um avozinho tão querido, voto nele" ou "O Louçã fala com convicção, é nele que eu voto! Legalize it! O BE é que tem gajas boas ao poder" (e tem mesmo; pronto, levam todos por igual). A sério? Nunca ninguém viu daquelas pessoas que, pusessem um candidato decente ou pusessem um hipopótamo votavam sempre mãozinha fechada/mangalho para o ar/ovo estrelado/foice (ou foi-se)/xutos e pontapés? Pois ouçam com muita atenção: esses são os verdadeiros jericos, asnos, que dão mau nome ao nosso país. Eu adoro-os como irmãos, conheço muitos e sou tão português como eles, desejo-lhes a salvação na razão e racionalidade. Mas é este estereótipo de populismo e alienação cega e sem racionalidade que, infelizmente, caracteriza uma boa faixa da nossa sociedade. Em português da minha terra (e, agora, sem asteriscos) é uma filha da puta de uma cambada de burros do caralho. A má língua excedeu-se nas palavras, mas vêm no dicionário.

Ora, isto tudo para decifrar uma outra burrice desmembrada: a falta de conhecimento da correcta disposição da nossa bandeira (hein, as voltas que eu dei para chegar a um pedaço de tecido). Vou-vos dizer a verdade: eu adoro a penúltima bandeira que tivemos (azul e branca, com as armas e, pronto, a coroa). E agora vem o Portugal das mãozinhas e dos mangalhos para o ar chamar-me monárquico. Ide para o grande c*r*lho. Pronto, eu gosto da bandeirinha antiga, que eu nunca vi com os meus olhos, só estudei na escola. Mas não invalida o que gosto da bandeira que, realmente, é a cara da minha pátria. Gosto de Portugal, gosto de nossa linda bandeirinha e, como estudante de música, adoro "A Portuguesa" (muito, muito, muito bem conseguido, uma linha melódica fantástica).
Pois, como patriota e patriófilo - deixem-me miacoutizar - custa-me ver, não raras vezes (quase sempre) - a m*rd* da ignorância da população quando não sabem dispor a bandeira. Ele é escudo de pernas para o ar, ele é lados trocados. Ah, sim, fica bonito, porque o Scolari pediu. Ide dar uma volta ao bilhar grande, como dizem os lisboetas. Ou ide mesmo para o c*r*lho, como se diz no Porto (um discurso mais directo). É assim tão difícil, ao fim da quarta classe, saber como colocar o símbolo da nossa pátria direito? Se calhar, sabem melhor como é a bandeira dos E.U.A.. É porque passa mais vezes na televisão, no intervalo dos jogos do Cristiano Ronaldo. Pois, porque em pleno séc. XXI, ainda impera um certo cheiro de "basta-me a quarta classe e saber dar uns toques na bola que me safo, senão vou para trolha". Pois haviam de nunca ir para trolha, pois, mesmo assim, tapam o lugar a quem só teve essa oportunidade.

Aprendam: lado verde para a nossa esquerda, lado vermelho para a nossa direita e escudo com a curva para baixo. Ou querem que o escudo passe a ser quadrado? Viva Portugal e não andem à espera que nos venham safar. "Mexeide-vos", como dizia a minha bisavó...
P.S.: peço desculpa aos titulares das imagens, até porque lhes aparece o nome nas ditas, mas o Google anda muito curto. Basta reclamarem e eu tiro.
P.S.2: pesquisa Google por "jumento". Pesquisas relacionadas: burro. Ná? A sério?
P.S.3: parece que este jumento tem mesmo nome - Juvenal.